domingo, 16 de agosto de 2009

Devaneio #010


Ela abandonou os sentidos
os suaves, os fortes, os amigos
Foi pra chuva se molhar
O natural lhe parece estranho
Era o ácido lhe queimando
Ela pediu ajuda pra não se machucar
E alguém gritou: 'Você tem que sair daí primeiro!'
Ela percebeu, então, que tinha acostumado com a dor
E não se movia do lugar pra ter seu bem-estar
Ela, sozinha, deveria sair da chuva
Se quisesse parar de se machucar
E num impulso
Enxugou as gotas da intensa chuva ácida
E foi para um abrigo para não se molhar.

Devaneio #009

Ela não vive em partes
Ela pode viver por inteiro com ele
Mas ele vive por inteiro só
E ela se entrega por inteiro
Quer morrer de amor por inteiro
E viver pra contar a história
De como fez uma parte aprender que é em inteiro
Que se faz uma vida à parte.

Devaneio #008


Controlar o amor
Não viver, não sentir, não fazer parte
Não expor, não informar
Não dispor, privatizar
Enjaule-se aqui acerca de si.

Ainda bem que ela é livre
Sem medo, se abre ao amor
Se rompe em falta de privacidade
Se esfaqueia em sinceridade
Quer fazer parte do outro, quer ser o outro
Quer bem, mas não pode, meu bem
Quer fazer de dois, um só
Uma só carne, uma só pele, um só sentimento.
Ele quer ser ele com ela
Ela quer ser eles.

Devaneio #007

Não há controle do inesperado
Desesperado sem esperança
O indizível do amor está aqui
Fugiu, mas estava aqui!
Fugiram as cores do amor
Fugiram! Fugiram!
Das paletas restaram carcaças
Desespero
Não se deve esperar
Mas desde então espero
E serena e breve
Pairou no ar.

Devaneio #006


Sem sustos e num surto
Ela tenta remendar um sorriso
Na esperança da mesma amizade
Que tem por novidade malícia e maldade
Acho que era essa a única novidade
Que ela não sabia.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Devaneio #005



Ela inventou de ser feliz logo hoje,
Justo hoje, dia incomum.

Um dia cinzento, com nuvens e muito vento
E pingos caindo no chão.

Pra quê lembrar dos dias de Sol quando há tanta nuvem?
O Sol, que um dia lhe trouxe felicidade, hoje queima as cicatrizes, mesmo tão cedo pela manhã.
Maldito foi o dia em que ela saiu ao Sol.
E sentou na praia para apreciar a paisagem junto com a cerveja - Que tempo memóravel e trágico.
Ela se apaixonou. E o Sol encontrou motivos pra lhe sugar toda a força, queimando seu coração com todos os raios possíveis.

Fica na sombra, te aquieta na sombra - dizem eles.
Mas ela não ouviu e foi de encontro ao Sol. Quase morreu de amor!
Q u a s e.
Mas ele a puxou para a sombra. Lhe refrescou com um beijo sincero.
As nuvens são amigas, agora.
E todos os dias são de chuva, que molham de desejo todo o seu corpo
Desejo de ser feliz, de viver, de amar. Desejos intensos, com raios e trovões.
Ela está feliz, logo hoje - num dia cinzento sem Sol.
E chove todos os dias nela.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Devaneio #004


Solidão, necessidade de carinho e de companhia ampliados em um microscópio
Ela se faz triste, porém serena ao ver que encara com fé a realidade de ser só.
Crava os pés na areia úmida e vê o pôr-do-sol que nunca se vai, esperando um abraço.

Dos melhores dias, a lembrança.
As piores lembranças já se foram. Saudade é algo na lembrança.
Saudade dos dias melhores, dos dias que foram, do pôr-do-sol com abraço.
Ela é uma maré, de vários sentimentos por dia.

Tempo bonito, quando o entardecer se fazia mais vermelho e vivo.